A música era a única excepção. Remexeu a prateleira onde guardava os discos de vinil. Encontrou o que queria. Com dois sopros valentes, livrou o prato do gira-discos de toda aquela cama de pó e assentou o disco, pousando sobre ele o braço do aparelho. Ainda dava som. Queria ouvir aquela música de novo, era logo a primeira.Toda aquela musicalidade lembrava-lhe o tempo de juventude. Recostou-se no cadeirão de pele acastanhada. Rejuvenescia ao escutá-la. Fechava os olhos sem se dar conta. Lembrava os momentos felizes desde o dia em que a conheceu. Carregava as imagens com todo o pormenor que a memória ainda lhe permitia. Sorria como naqueles tempos. O vinil era a memória. Voava de sítio em sítio, rindo com a memória. Estava lá e não cá.
Tudo corria aos seus olhos ao ritmo daquela música.
Tinha reencontrado a felicidade.
